Penso que é muito bom uma pessoa perceber o que realmente tem de bom ao seu redor. É maravilhoso ter a capacidade de fazer um balanço do positivo e do negativo e saber exatamente qual é o resultado. Faz parte da expansão de consciência do ser humano perceber no momento presente o quanto algo é importante na sua vida, o quanto algo é vital, inexplicavelmente delicioso e feliz.
Hoje, me considero esse ser humano que conseguiu fazer uma análise exaustiva sobre a cultura brasileira, sobre o Brasil e sobre tudo o que o envolve.
Hoje,
dia da independência, o glorioso 7 de setembro, quero fazer esta apologia ao
Brasil, minha segunda pátria, meu segundo lar.
Posso
começar dizendo que o Brasil é o maior país da América do Sul e da América
Latina. Posso dizer que ele é colosso (como diz o hino nacional), belo e
impávido. Mas isso salta à vista, isso é óbvio. O Brasil é mais do que isso, é
uma consciência de um país que tem a melhor gente do mundo, que tem uma cultura
deliciosamente densa e complexa, essa cultura que se abastece a si mesma, porque ele é uma ilha cultural, uma ilha dividida pela sua própria língua. Ela
produz uma literatura, um cinema, uma televisão, uma música, diversas
expressões culturais que são de uma delicadeza, que são de uma riqueza
incrível. Quando essa cultura, que se encontra numa bolha, traspassa as
fronteiras e é descoberta pelos estrangeiros, eles ficam assombrados com
tamanha riqueza, com tamanha diversidade que a faz única e apreciada por todo o
mundo.
A
cultura brasileira é uma amálgama europeia, indígena e africana. A música
permeia esses espíritos de forma deliciosa. Parece que as melodias da
música brasileira seguem o fluxo do mar, desse imenso oceano Atlântico onde ela
reina única e insubstituível.
Parafraseando
a atriz Fernanda Torres (que ganhou o Globo de Ouro de 2025 pelo filme “Ainda
estou aqui” de Walter Salles), ela disse: “Eu tenho pena de quem não conhece
Machado de Assis, quem nunca leu Nelson Rodrigues”, e eu quero adicionar que
tenho pena de quem não conhece Clarice Lispector, nem Érico Veríssimo, nem
Drummond de Andrade. Eu tenho pena de quem nunca conheceu o grandioso teatro
brasileiro, os grandes compositores, as óperas de Carlos Gomes, as obras de
Villa Lobos. Eu fico assombrado com a admiração dos estrangeiros quando
descobrem as paixões brasileiras pela primeira vez: O carnaval, o samba, o MPB,
as marchinhas, os chorinhos, as diversas manifestações da cultura nacional. Sem
falar da culinária brasileira. Gente que fica de boca aberta com a quantidade
de frutas que existe neste país, com a -abundância de comida, os temperos, sua
história.
Tem tanta coisa que eu posso falar sobre o Brasil. Mas terminarei por dizer que sou apaixonado pela sua língua: a língua portuguesa. E concordo plenamente com a Clarice Lispector quando ela diz que: “a língua portuguesa não é fácil, não é maleável, e como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes como um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor”
E para mim, que tenho conseguido, finalmente, escrevê-la, continuo com a Clarice: “A
língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para
quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de
superficialismo”
Parabéns, meu Brasil brasileiro, pelos 204 anos de vida independente.





