quinta-feira, 21 de maio de 2026

ALMA A FILHA DO DESTINO - 2025 (CAPITULO I - PARTE I)

 



CAPITULO I

  

“A MENINA E O RIO”

               

As águas do rio Moxotó pareciam estrelas brilhando num espelho nessa tarde quente de abril. As chuvas tinham deixado a sua herança anual através de toda a sua costa. Os sedimentos aluviais compostos de argila e silte distribuíam-se por toda a ribeira do rio, até a parte das rochas calcares que indicavam o começo de uma trilha – caminho que serpenteava- no meio da mata do sertão e que conduzia até a propriedade rural do seu Rubião Rocha.

O silencio era eloquente, e só era quebrado pelos passos de um par de pés pequeninos de uma menina de nove anos que parecia desfrutar de essa inocente brincadeira. A menina estava toda encharcada e suja, mas não só de água, como também de lama escura. Ela cumpria o ritual todos os dias. Quando o seu pai e irmãos, após o almoço, voltavam ao trabalho nos canaviais, ela ajudava a mãe com os afazeres da casa, lavava os pratos, limpava a cozinha e, depois ia para o rio se lambuçar na lama.

Não adiantavam os protestos da mãe que via a filha chegar toda suja. Ela, em silencio, lavava a roupa de pano amarela, toda corroída e embolorada pela sujeira e, voltava a repetir a sua rotina, dia após dia.

O universo dessa infantil figura centrava-se no rio, na lama, nas rochas, em toda a natureza.

 

-Alma, é hora de voltar para casa – gritou dona Maria das Dores do alto da rocha por onde começava a trilha que levava à

 

casa dos Rocha.

 

Alma virou a cabeça e acenou para a mãe. Entrou no rio e mergulhou suavemente. Lavou o corpo todo e apressou-se a ir junto da mãe que a olhava de forma intrigante.

 

Maria das Dores Malta, era uma mulher baixinha, de olhos escuros, cabelos curtos começando a ficar grisalhos, e uma coragem de dar inveja a qualquer mulher deste mundo.

Havia nascido no próprio Sertão de Moxotó quando Inajá era conhecida pelo nome de Fazenda do Espírito Santo. Filha de Damião Malta e de dona Rosa da Purificação, eram os primeiros habitantes da região. Inclusive a primeira casa construída pertencia aos Malta.

Damião Malta chegou a ser um comerciante próspero. Na sua venda, conhecida como Posto Malta, vendia-se de tudo: carne seca, azeite, grãos, cachaça, queijo, cigarro e outros produtos que vinham de Recife.

Maria das Dores, conhecida como Dadá, era a única filha mulher. Seu Damião e dona Rosa tinham mais dois filhos, todos mais novos que Dadá.

De estatura baixa, profundos olhos escuros e brilhantes, a moça passava por uma beleza exótica. De pele morena, chamava a atenção pelo corpo escultural e pelo sorriso, muito raro, mas capaz de derreter corações juvenis em toda a comarca.

Quando Dadá completou vinte anos, os pais pretenderam arranjar um marido para ela. Dadá opôs-se terminantemente. Ela se casaria só por amor e não aceitaria ninguém que não fosse do seu gosto.

Um dos candidatos apreciado pelos Malta era Damásio Bezerra, o filho do coronel Bezerra, uma espécie de cacique da região. Era proprietário da maior fazenda do Sertão de Moxotó e décadas atrás, eram proprietários de escravos quando este sistema imperava no país.

Damásio estava apaixonado pela Dadá, mas ela não quis saber

 

nada e o jovem, decepcionado, foi para Recife terminar os estudos.

Foi então quando Dadá conheceu Rubião Rocha, de quem ficou apaixonada.

O moço era originário de Arcoverde, uma cidade não tão distante de Inajá. Filho único de um modesto fazendeiro que ganhava a vida com o cultivo de cana de açúcar, Rubião Rocha ficou prendado pela Dadá assim que a conheceu.

Alto e de cor bem branca. Tinha ascendência holandesa e portuguesa. Rubião era um jovem forte, de olhos azuis, bem azuis e de pele branca. Quando caminhava, parecia um oficial de exército a mando de suas tropas. O avô materno era filho de um marinheiro holandês que desembarcou no Brasil na época de Mauricio de Nassau e por parte de pai, era neto de um comerciante português que, fugindo da cidade do Porto por dívidas, afincou-se em Arcoverde e esqueceu o comercio, pois descobriu nas plantações de canaviais um futuro promissor para sua família.

Por tanto, quando chegou a Inajá, o jovem Rubião tinha conquistado o coração de Dadá, não só pelos belos olhos azuis, mas também porque era um homem educado, coisa muita rara por essas bandas.

O pai acabara de falecer e Rubião comprou um terreno à beira do rio Moxotó com o intuito de dedicar-se à plantação de tabaco e cana de açúcar. Vendera a fazendinha de Arcoverde e mudara-se para Inajá.

Costumava comprar no Posto Malta todas as provisões que necessitava e, numa dessas incursões, conheceu a filha do comerciante.

No começo a família Malta foi contra o namoro, mas a moça foi firme e conseguiu convencer os preocupados pais de que Rubião era o melhor homem para ela.

Um ano depois, em maio de 1922, casaram-se na Igreja do Divino Espírito Santo, com a presença de todos os habitantes de Inajá. Na festa, uma ausência: a família Bezerra. O casal teve três filhos: Damião, nascido em abril de 1923; José Rubião,

 

nascido em setembro de 1925 e finalmente a caçula Alma do Espirito Santo, nascida coincidentemente no domingo 8 de junho de 1930, festividade de Pentecostes, o qual deu o nome à recém nascida.

 

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quarta-feira, 20 de maio de 2026

SINFONIA DE MAIO

 



Efervescentes e nostálgicas

luzes quase mágicas de outono

Outono brilhante, cheio de emoções

Melodia suave no coração

 

Sentimentos contraditórios, algo efêmeros,

mas fortes como uma tempestade de verão

Luz solar sobre o mar, manhãs silenciosas

Esperanças que se renovam a cada dia que passa

 

É maio, e é outono

O clima temperado se perde nas brumas do dia

E os sorrisos quebram a monotonia,

e nos fazem esquecer da rotina

 

Maio, entardecer silencioso, noites tranquilas

Chuva mansa que afaga, sonhos e fantasias

Neste maio cheio de harmonia,

de sorrisos, de paixões e de sinfonias.

CONTRADICTION

 



Some days I wake up early

Other days,  I wake up late

I like to see the sun rising

I like to see the moon growing

Sometimes I talk so much

Even to myself

Sometimes I'm in silent.

Sighing and whispering

I like summer

The spring surprises me

I do not like autumn so much

I dislike winter

Sometimes I cry.

But I often laugh

I always smile,

My look is transparent

My look is soft

I have fantastic dreams

I have dark nightmares

I love to run nonstop

But I get tired too

Sometimes it is better to walk

I like biking

I like rain

I do not like cloudy days

I love sunny mornings

I remain in silent

Thinking and dreaming

I love so much, and sometimes I don’t

Sometimes I like many things, and sometimes I don’t

I love listening to music

I love to be in silent

Silence touches me

A cry drowns me

I like all animals

Except snakes

I like feeling emotions

I do not control sensations

I am a romantic

I am ephemeral

I live as a mutant.

I taste a red fruit

I miss many things

And sometimes I feel nothing.

I feel love

I run away from hate

I love Tchaikovsky, Debussy and Brahms

I do not like Shostakovich

I think Stravinsky very strange

I dream of Eric Satie

I love pop music.

But I prefer the erudite

I like to write poetry

I like listening to symphonies

I adore all Saturdays of my life.

I love sleeping at least

Night and day

I am a man, sometimes a beast

I'm a child of God

I'm always accompanied

But sometimes I prefer to be alone.

They call me "Human Being"

I am a torrent of emotions

Why not feel this CONTRADICTION?

sexta-feira, 1 de maio de 2026

MAÑANAS DE MAYO


Mañanas de mayo

Iluminadas por el sol

Transparente y bendecido

Lleno de luz y color

 

Mañanas de mayo

Ilusión, ensoñación

La naturaleza nos brinda

Un espectáculo de esplendor

 

Mañanas de mayo

Fulgor y emoción

La vida renace

En primaveras y otoños de dulzor

 

Mañanas de mayo

¿Qué traes detrás de tanta belleza

y bendición?

Hay un aire de cambio en la vida

                        Hay alegría y renovación. 

MANHÃS DE MAIO

 

Manhãs de maio

Iluminadas pelo sol

Transparentes e abençoadas

Cheias de luz e cor


Manhãs de maio

Ilusão, devaneios,

A natureza nos dá

Um espetáculo de esplendor


Manhãs de maio

Realização e emoção

A vida renasce

Em primaveras e outonos de candor


Manhãs de maio

O que você traz por trás de tanta beleza

e bênção?

Há um ar de mudança na vida

Há alegria e renovação!


quinta-feira, 23 de abril de 2026

DIA DE LA LENGUA CASTELLANA

 Hoy es el día de la lengua castellana y en su homenaje dedico este poema cargado de emotividad a mi lengua materna que acunó mi infancia, que me hizo meditar durante toda mi vida a través de la palabra y la escritura y que continúa siendo el baluarte impenetrable de mis pensamientos.

ODA CASTELLANA

Cómo te quiero, Dulce y viejo idioma mío!
Nacido en la inmensa planicie Castellana de mis ensueños
Por ti, el gran Cervantes te utilizó el pensamiento
y después exhaló sin aliento, el monumental “Don Quijote” en el mil seiscientos
Los torvos y rudos conquistadores te llevaron con sus ambiciones y ganas,
por todos los rincones y planicies de las benditas tierras americanas.
Cómo te quiero, Dulce y viejo idioma mío!
Castellano, hispano Fuerte, viril, enamorado.
Eres la más dulce de las lenguas de los hombres enamorados
Quien conoce las Rimas de Bécquer siente el corazón arrebatado.
Desde los sonetos de Espronceda a las cantigas del Rey sabio;
pasando por las coplas de Manrique, y por el querido Quevedo y Villegas, bienamado.
El azul cielo de Rubén Darío se confunde con los tiernos versos de Nerva,el Amado
El supremo misterio de Roa Bastos y la complejidad de Borges,
 siempre recordado.
Dulces palabras escritas Por Rosalía de Castro,
 Gloria Fuertes y Pemán,
 Magistral Cela,
 piececitos de Gabriela Mistral
Noches estrelladas de Neruda Arrebatos sin igual.
Cómo te quiero Viejo y dulce idioma mío!
Latinidad sin par Idioma en el que he nacido y aprendí a cantar.
Bendito idioma de mi niñez, en el que aprendí a rezar
Me regalaste las palabras con las que también aprendí a amar.
Cómo te quiero Viejo y dulce idioma mío!
Arrebatos de felicidad
Por ti mis pensamientos se recubren
y se engalanan de majestad!

sábado, 4 de abril de 2026

ABRIL

 


 

Siempre será abril

Cuando la noche sea tibia

y las mañanas frescas

Cuando el cielo sea más azul

y las noches estrelladas,

más brillantes y amenas

Y siempre será abril

Cuando en las tardes de domingo,

en estado total de gracia,

devoro un libro con entusiasmo

escuchando a Debussy

Así, siempre será abril