quarta-feira, 9 de setembro de 2026

MEU BRASIL BRASILEIRO

 Penso que é muito bom uma pessoa perceber o que realmente tem de bom ao seu redor. É maravilhoso ter a capacidade de fazer um balanço do positivo e do negativo e saber exatamente qual é o resultado. Faz parte da expansão de consciência do ser humano perceber no momento presente o quanto algo é importante na sua vida, o quanto algo é vital, inexplicavelmente delicioso e feliz.

Hoje, me considero esse ser humano que conseguiu fazer uma análise exaustiva sobre a cultura brasileira, sobre o Brasil e sobre tudo o que o envolve.

Hoje, dia da independência, o glorioso 7 de setembro, quero fazer esta apologia ao Brasil, minha segunda pátria, meu segundo lar.

Posso começar dizendo que o Brasil é o maior país da América do Sul e da América Latina. Posso dizer que ele é colosso (como diz o hino nacional), belo e impávido. Mas isso salta à vista, isso é óbvio. O Brasil é mais do que isso, é uma consciência de um país que tem a melhor gente do mundo, que tem uma cultura deliciosamente densa e complexa, essa cultura que se abastece a si mesma, porque ele é uma ilha cultural, uma ilha dividida pela sua própria língua. Ela produz uma literatura, um cinema, uma televisão, uma música, diversas expressões culturais que são de uma delicadeza, que são de uma riqueza incrível. Quando essa cultura, que se encontra numa bolha, traspassa as fronteiras e é descoberta pelos estrangeiros, eles ficam assombrados com tamanha riqueza, com tamanha diversidade que a faz única e apreciada por todo o mundo.

A cultura brasileira é uma amálgama europeia, indígena e africana. A música permeia esses espíritos de forma deliciosa. Parece que as melodias da música brasileira seguem o fluxo do mar, desse imenso oceano Atlântico onde ela reina única e insubstituível.

Parafraseando a atriz Fernanda Torres (que ganhou o Globo de Ouro de 2025 pelo filme “Ainda estou aqui” de Walter Salles), ela disse: “Eu tenho pena de quem não conhece Machado de Assis, quem nunca leu Nelson Rodrigues”, e eu quero adicionar que tenho pena de quem não conhece Clarice Lispector, nem Érico Veríssimo, nem Drummond de Andrade. Eu tenho pena de quem nunca conheceu o grandioso teatro brasileiro, os grandes compositores, as óperas de Carlos Gomes, as obras de Villa Lobos. Eu fico assombrado com a admiração dos estrangeiros quando descobrem as paixões brasileiras pela primeira vez: O carnaval, o samba, o MPB, as marchinhas, os chorinhos, as diversas manifestações da cultura nacional. Sem falar da culinária brasileira. Gente que fica de boca aberta com a quantidade de frutas que existe neste país, com a -abundância de comida, os temperos, sua história.

 Tem tanta coisa que eu posso falar sobre o Brasil. Mas terminarei por dizer que sou apaixonado pela sua língua: a língua portuguesa. E concordo plenamente com a Clarice Lispector quando ela diz que: “a língua portuguesa não é fácil, não é maleável, e como não foi profundamente trabalhada pelo pensamento, a sua tendência é a de não ter sutilezas e de reagir às vezes como um verdadeiro pontapé contra os que temerariamente ousam transformá-la numa linguagem de sentimento e de alerteza. E de amor”

E para mim, que tenho conseguido, finalmente, escrevê-la, continuo com a Clarice: “A língua portuguesa é um verdadeiro desafio para quem escreve. Sobretudo para quem escreve tirando das coisas e das pessoas a primeira capa de superficialismo”

Parabéns, meu Brasil brasileiro, pelos 204 anos de vida independente.

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