terça-feira, 30 de junho de 2015

REFLEXÕES DO COTIDIANO

O PRIMEIRO SEMESTRE DE 2015
O primeiro semestre de 2015 fechas as portas com um grande dilema. Não consigo fazer um balanço exato do que foram estes seis meses tão surpreendentes. Por um lado, posso dizer que foi muito difícil para todos nós, imersos numa crise econômica e política desastrosa, uma crise de valores éticos que nos deixam abatidos e, muitas vezes sem esperança. Por outro lado, essa esperança, apesar de ser pouca, ainda subsiste. Vem à minha mente frases como “Tudo acontece nesta vida para melhor”, ou “Não há mal que dure cem anos”, ou coisas parecidas. Minha natural alegria e coração cheio de esperança sempre foram antídotos para superar qualquer contratempo. Mas este primeiro semestre está sendo desafiador.
Desafiador no sentido da nossa inteligência e da nossa capacidade de rever as dificuldades e passar por alto com garbo e com sabedoria. Desafiador no sentido de fortalecer a nossa fé em saber que tudo passa nesta vida, e o que “não nos mata, nos fortalece”.
Sempre procuro aprender algo novo no ligeiro andar da carruagem da minha vida. Observo com atenção os meandros do cotidiano, dos acontecimentos e procuro encontrar, com a luz da razão, alguma explicação sobre o comportamento humano e sobre os acontecimentos do mundo.
Dentro de nosso convívio diário e cívico, a tempestade não tardou em aparecer já no começo do ano. As altas temperaturas do verão pressagiavam uma tempestade política de dimensões nunca vistas. O escândalo da Petrobrás, talvez o maior escândalo de corrupção da República, veio à tona em meio as incertezas econômicas que seriam realidade em pouco tempo. A inflação nos ares, o desemprego, a queda da renda, a subida de impostos e juros bancários, pressagiavam um futuro cheio de temores e tristezas para todos os brasileiros.
No centro do governo, a crise política da Presidente chegou às alturas. O embate entre o Executivo e o Legislativo dificultou e ainda dificulta muito a aprovação de leis que assegurem o reajuste fiscal, urgente e necessária para sair da lama em que o próprio governo se meteu e nos condenou. A cada dia, os escândalos aparecem e já não nos deixa assustados, pior, estamos acostumados a eles. Mas as grandes manifestações populares de maio e abril, demostraram o descontento dos cidadãos com o governo.

A FIFA também foi centro das atenções sobre notícias de corrupção internacional que também tiveram influência nos cartolas tupiniquins. A prisão do Ex-Presidente da CFB (Confederação Brasileira de Futebol), José Maria Marin, abalaram o mundo da bola.
Enquanto isso o mundo enfrentou suas próprias tragédias. O terremoto no Nepal foi um evento muito triste que provocou grande comoção. Atentados terroristas do grupo Islâmico ISIS na Síria e no Iraque preocupam o mundo. Na França, e nos países árabes a situação é preocupante. Desde o atentado em Paris, em janeiro, do jornal “Charlie Hebdo” quando foram assassinados jornalistas, aos atentados na Tunísia e Kuwait, o mundo vê ameaçado sua existência pacífica com o avanço desse grupo radical.
A crise econômica da Grécia atingiu seu ápice em junho, quando o país está ameaçado em sair da zona do Euro se não pagar sua dívida com o FMI que vence no dia 30 de junho. O governo grego chamou um plebiscito para aprovar ou não o plano econômico exigido pelos países da União Europeia. A situação é preocupante.
Mas, apesar de todos os pesares, a vida é muito rica em milagres e contradições. Os sentimentos podem ser estranhos, confusos e até inexplicáveis na maioria das vezes, mas eles são, com certeza, nosso combustível que nos dá a segurança de que somos humanos e que com os sentimentos podemos encontrar, muitas vezes, as respostas a tantas questões difíceis que estamos vivendo.


segunda-feira, 1 de junho de 2015

JUNIO



Junio llega con frío
Parece que el invierno se adelantó
La vida se recoge en meditación
Intentando desechar el hastío

Las fiestas de San Juan están llegando
Ansío estar cerca del fuego
Soñando chispas de fantasías
Y alegrando mi corazón ardoroso

Junio, preludio del invierno
Rumor sonoro, corazón ardiente
Sueños y quimeras inundan el ambiente
La esperanza vuela en viento tierno

Junio, meditación
Sueños e ilusiones
Eterno fragor de amor

Fuerza indómita, cálida emoción.

domingo, 31 de maio de 2015

ALMA, A FILHA DO DESTINO (CAP.VII PARTE IX)

A semana que os Dupont ficaram em Clermont fora a mais fria. Temperaturas a baixo de zero, e a nevasca era impressionante. Paul convidou Claire para esquiar no Vale du Junôt, uma espécie de pista de esqui natural aos redores da cidade. O convite fora feito durante o café da manhã.
- Agradeço, Paul, mas não sei esquiar.
- Isso é o de menos, eu te ensino.
- Tudo bem.
O Vale de Junôt era um grande espaço no meio de uma reserva florestal, a mais importante de Clermont-Ferrand. Durante o verão era usado para apresentações teatrais, shows de música e picnics. No inverno, e pela sua localização no topo de um planalto, era uma excelente pista de esqui.
Quando Paul e Claire chegaram, não havia ninguém no lugar. Como era o primeiro dia do ano, era natural que todo o mundo estivesse descansando após as festas.
Paul preparou todos os materiais de esquiar e começou a ensinar à moça. Após quase duas horas de intenso treinamento, Claire começou a se equilibrar e a dar pequenos passeios, primeiro com o apoio de Paul, depois, aventurou-se sozinha. Quando deu quase meio dia, Claire já tinha curtido bastante aquele estranho esporte de deslizar na neve.
Aproveitando os dias frios, Claire e Paul voltaram para a pista de esqui todos os dias que ela ficou no Château Royat, e foi uma experiência maravilhosa.
- Olha, Paul, olha o que eu já posso fazer
- Você está excelente, continue, cuidado com o equilíbrio, só isso
- Estou adorando esquiar...
E assim, os dias foram passando. Julian tinha ido embora, e só ficaram eles para explorar todos os aposentos do Castelo e a região adjunta.
Numa dessas excursões pelo Château, entraram na ampla biblioteca, cheia de livros, mapas e cadernos.
- Que enorme é a biblioteca – disse Claire com curiosidade e admiração.
- Sim, temos muitos livros e enciclopédias.
Claire começou a ler a coleção dos livros, e um, em particular, chamou a sua atenção.
- Tratado de Botânica Francesa! Interessante. Posso dar uma olhada?
- Claro querida, fica à vontade. Vou mandar preparar um café para nos. Já volto.
Claire folheou as páginas do livro. Era grande e volumoso, quase uma enciclopédia. Nas páginas que ia passando, estavam as diferentes espécies de flores, de plantas, de ervas francesas. Um capitulo a fez deter: Flores e aromas da França. Ali ficou lendo e absorvendo essas informações tão importantes para ela.
Paul voltou com uma bandeja de café. Enquanto ela ainda estava de pé frente ao livro.
- Nossa, parece que você está interessada no livro mesmo – disse ele sorrindo – aqui o seu café.
- Obrigada. Paul, você não imagina o quanto é importante este livro. Olha as flores aromáticas do país, é maravilhoso.
Paul olhou para o livro e sorriu.
- Nossa, este livro é muito antigo. Minha mãe me deu de presente quando eu tinha uns doze anos, nunca tive interesse em plantas e flores. Acho que ela achava que eu iria gostar. Até gosto, mas não é a minha área. Você gostou?
- Este livro é um tesouro Paul.
- Então é seu
- O quê?
- É seu. Considere como um presente de ano novo.
Claire não resistiu. O abraçou e deu um beijo na face.
- Obrigada, obrigada Paul, você não imagina a minha alegria. Foi o melhor presente que já recebi. Obrigada mesmo.
Paul du Clermont ficou feliz em ver a alegria de Claire. Tinha certeza que nesses dias ele tinha contribuído para que a moça ficasse mais alegre e solta.


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MAÑANA DE OTOÑO

Sábado radiante
de luz otoñal
El silencio rodea la casa
Sólo una suave música
esparce su melodía,
dando color, dando vida
a la tranquila y placentera vida.

La mañana renace
con una tenue melancolía
Irradiando fantasías,
Irradiando sueños,
Nostalgias y alegrías

Mañana otoñal
donde las esperanzas se renuevan,
hacia un futuro promisor
Sin temores, sin resquemores
Pues en el alma anidan
las más profundas inspiraciones

y las más inexplicables emociones.

domingo, 17 de maio de 2015

PENSAMIENTOS SOBRE LA VIDA





“El Verdadero milagro de estar vivo es estar sujeto a la suprema incertidumbre de lo que la vida te reserva”



“Destino, futuro, porvenir. Palabras que sólo encontramos en la compleja existencia de la vida humana”



“Vivir, amar, morir. Verbos que conjugan la vida humana”



“La vida es una sucesión de momentos y milagros inexplicables”



“El amanecer de cada día, trae consigo la atractiva incertidumbre de la vida”




“Amar es el único concepto que sobrepasa la vida”

ATO GRATUITO (PARTE VIII)

No Ato Gratuito a pessoa não só faz o que entende; faz, inclusive aquilo que não entende, porque é guiada pelo coração, e isso faz com que ela avance no processo realizador e descubra as maravilhas de “ser” humana.
Se continua “sendo” a própria natureza, por isso nunca a pessoa se descobre estranha a todos os fenômenos naturais que acontecem ao seu redor.
Clarice Lispector dizia “vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos”. Pois bem, no Ato Gratuito se segue a intuição natural de ser livre e parecer ridículo ou ter respeitos humanos são elementos totalmente desconhecidos ou ignorados.  O “ser” que faz o Ato o faz de forma tão natural que nunca tem medo de parecer ridículo. A aventura de viver está presente em todos os momentos, em todos os lugares e assim, a alma sente-se livre para poder voar, realizar sonhos, caminhar por trilhas nunca antes imaginadas. O Ato Gratuito, como Ato de fé, é também um ato de coragem.
Também a esperança está sempre presente no Ato Gratuito. Ela não é a toa; ela vem do fundo da alma e ornamenta o Ato Gratuito, porque esperança é também um Ato de fé na vida. A alma humana está cheia de desejos: desejos de ajudar, de cumprir com seu dever supremo e humano de dar alegria e esperança aos outros.
No Ato Gratuito, a alma está coberta de liberdade, riqueza de envelhecer, riqueza de ser generoso, de não haver espaço para o EU, saber que existe o tempo, as dimensões, espaço dentro de um espaço, instante criado por outro instante, existe a pedra, os sentimentos, o concreto, a força bruta, as ondas do mar. Mas, tudo isso é sublimado pela certeza firme e quase sagrada de que tudo se pode, que tudo se vive ao ponto máximo, que tudo é energia positiva, que tudo é ação.
Depois chega-se a conclusão que existir e tão completamente fora do comum e que a solução para não enlouquecer é amar os outros como a nós mesmos.

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O AMIGO DE TERMÓPILAS (PARTE IV - FINAL)


Ele mal conseguia abrir os olhos quando percebeu que estava num lugar escuro e sinistro. O lugar era horrível. Nunca tinha visto nada igual. O cheiro de podridão, os latidos de outros cachorros, era um pesadelo. Com forte dor de cabeça, começava a terrível pergunta: Onde estou?, Onde está o meu dono?, onde está a minha casa, a minha caminha quente?
Percebeu que estava numa prisão canina. Ele tinha sido pego pela carrocinha e só lembrou que corria pelas ruas escuras sem rumo após o acontecimento horrível que tinha acontecido.
As lembranças dolorosas apareciam em intervalos sem conexão. Primeiro, ás lágrimas de dona Elvira, tentando consola-lo, depois a multidão que ia entrando na casa chorando. Ele estava perdido. Nunca mais vira o seu dono, o seu melhor amigo Homero.  Que tinha acontecido com ele?, como sua vida podia mudar tanto?, como pode se passar do paraíso ao inferno tão rápido?. Ele não entendia nada.
Depois lembrou que viu o seu dono sendo levado num carro branco com uma cruz no meio e que fazia um barulho terrível. Depois, depois, nunca mais.
Agora ele estava só, perdido no mundo no meio de outros cães desgraçados, sem esperança. Há poucos minutos levaram a força um pobre cãozinho doente e nunca mais o trouxeram. Todos diziam que o mataram e alguns cães temiam que todos eles morreriam.
A dor de cabeça era terrível, mas o pior era a dor da saudade do amigo Homero. Sem esperanças nesta vida, o pobre Termópilas fechou os olhos. Em pouco tempo, começou a dormir e sonhar. Não sentiu mais nada ao redor. Pareceu mais leve, muito leve. E sentiu uma energia que nunca tinha sentido antes. Começou a correr pela escuridão e viu uma porta de luz aberta. Correu até ela. Parecia ouvir a voz do seu amigo Homero que gritava: “Termópilas, Termópilas, vem, vem”
Ele atravessou a porta de encontrou-se num imenso parque de gramado verde, colinas suaves e brisa fresca. Perto de uma árvore, viu Homero que abria os braços para ele. Termópilas correu tudo o que podia e sentiu o abraço do amigo, do dono. Sua felicidade era imensa. Até que enfim tinha encontrado o seu dono. Agora sim, agora eles brincariam e estariam juntos para sempre.
- Meu amigo, meu querido amigo – disse Homero abraçando Termópilas com carinho- nunca, nunca mais vou me separar de você.
Homero começou a correr pela prado verde e Termópilas, feliz, corria atrás para alcança-lo, como sempre o fizera.


F   I   M